• Regina Mota

Dê a cada palavra o sentido que ela tem

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, ”pleonasmo é redundância de termos no âmbito das palavras, mas de emprego legítimo em certos casos, pois confere maior vigor ao que está sendo expresso; e tautologia é o uso de palavras diferentes para expressar uma mesma idéia, redundância”. Muitas vezes, o reforço nas expressões nos dá a sensação de segurança. Parece que o interlocutor entenderá, de modo mais claro, a nossa idéia.


Alguns pleonasmos já se cristalizaram, por isso, muitos falantes nem se dão conta de tal deslize. Os exemplos são conhecidos e interessantes. Vale relembrá-los. “Você vai ser o nosso elo de ligação aqui na empresa”. Basta dizer “Você vai ser o nosso elo”; “Para você mudar de cidade precisa de uma infra-estrutura básica”. Diga apenas: “Você precisa de uma infra-estrutura para mudar de cidade”; “Há dez anos atrás, Belo Horizonte era mais tranqüila”. O verbo haver já está indicando passado, portanto, nesse caso, não empregue a palavra atrás.


“Todos foram unânimes na decisão”. Diga apenas: “A decisão foi unânime”; “Você pode ganhar grátis um DVD”. Alguém ganha pagando?; “O público presente assistiu ao espetáculo”. Para haver público, precisa de pessoas presentes, não é?; “O lançamento do novo CD será amanhã”. Se é lançamento, só pode ser de um CD novo, caso contrário... “A conjuntivite do meu olho está insuportável”. Conjuntiva: membrana mucosa que reveste a parte interna da pálpebra. Portanto, conjuntivite... Quando alguém diz que teve uma surpresa inesperada, penso se teria graça uma surpresa esperada... “Encare de frente os problemas”. Para enfatizar uma idéia, dê a cada palavra o sentido que ela tem. “Encare os problemas”. Isto é, se quiser resolvê-los, senão, olhe para eles com “rabo-de-olho”.


Usar a expressão exata para cada momento, adequando o vocabulário de modo simples, claro e objetivo é o sucesso da comunicação no dia-a-dia. Às vezes, parece-nos estranho ouvir os já conhecidos pleonasmos: “subir pra cima”, “descer pra baixo”, “entrar pra dentro”, “sair pra fora”, “nasceu um menino homem”, “nasceu uma menina mulher”. Mas as possibilidades da linguagem são infinitas. O professor Sérgio Nogueira Duarte (Jornal do Brasil, Língua Viva, nº1, 1998) cita uma frase que ouvimos muito na TV ao anunciarem um filme: “É baseado em fatos reais”. Segundo o professor, todo fato é real. Não existe 'fato irreal'. Uma história pode ser real ou não; mas fato é 'o que aconteceu'. Portanto, fato real, fato concreto, fato verídico e fato acontecido são redundâncias.


O pleonasmo, a redundância e a tautologia conferem segurança a alguns falantes e arrepio a alguns ouvintes. A adequação da linguagem depende do contexto em que será usada. O saudoso professor Mariante, do Centro Universitário Newton Paiva e Colégio Imaculada, quando ouvia a frase “Professor, me esclarece uma dúvida?, logo, com o seu humor e sábias observações lingüísticas, perguntava ao aluno: “Você realmente tem certeza da sua dúvida? Dúvida é para ser tirada, sanada. A dúvida continuará na sua cabeça se for apenas esclarecida...”


Um pouco de humor e criatividade reforça as várias possibilidades de uso da língua. Conhecer uma língua não significa conhecer apenas as regras gramaticais, apesar de serem significativas. É preciso pensar a língua com todas as riquezas e possibilidades comunicativas.


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