• Regina Mota

Artesão da Palavra

Cada texto é um texto e, no momento de uma produção, há, muitas vezes, um sofrimento nosso: os artesãos da palavra. “Se eu pudesse falar as ideias que estão na minha cabeça...” “Escrever, hoje, parece impossível, as ideias desapareceram”. “Não sei como começar o texto. Não sei qual título darei”. O que fazer? Esses depoimentos não são novidade para quem trabalha com a palavra. Somente aquele que não escreve dirá que essa é uma tarefa simples.


Escrever é trabalhoso e dá prazer. Ficamos em estado de graça, com uma sensação de plenitude quando a mensagem é passada com clareza, coerência e objetividade. Gostaríamos de sempre escrever o que está claro na nossa cabeça.


O poeta chileno Pablo Neruda certa vez afirmou: “Escrever é fácil. Você começa com letra maiúscula, termina com ponto final e no meio coloca as ideias”. Mas, onde estão as ideias? Não temos receita para produzir textos. Apenas a prática, o exercício, o calo nos dedos, o escrever e ler todos os dias são o caminho. Escrever é fazer rascunhos e cortes. Cortar palavras. Colar palavras. Trabalhar e retrabalhar, as ideias. Que sufoco! Essa é a sensação. Escrever é trabalhar, é suar as ideias que barulham para a ponta do lápis, do teclado. Cada um de nós vive as aflições e os prazeres da escrita.


Escrever é encontrar a palavra certa na simplicidade, no modo adequado para cada pessoa, situação e lugar. Antes de escrever, pense: “O que quero escrever?”, “Para quem vou escrever?”, “O que quero como resposta?”.

Uma folha de papel, um espaço vazio a ser preenchido. Quero e preciso escrever. Começar e recomeçar. Preciso persuadir e encantar o meu interlocutor com ideias consistentes e bem argumentadas. Entretanto, para que isso ocorra, não há dúvida: o caminho é ler e exercitar a escrita. Não me cansarei de declamar estes dois verbos: ler e escrever. Leia para ampliar o seu conhecimento de mundo. Escreva sem medo!

Se eu pudesse resumir a tarefa da escrita como o poeta chileno... Se eu pudesse falar as ideias que estão na minha cabeça...


Segundo o escritor francês Ducassé, “Na busca de ideias para escrever um texto, devemos esperar que os pensamentos aflorem: eles vêm como chuva, ora de vez, ora aos pingos; chegam sempre desordenados. É preciso apará-los, recolhê-los, juntá-los e anotá-los como surgem”. Por isso, é impossível desvirginar uma folha de papel com as ideias já coerentes, encantadoras e com uma linguagem dentro do padrão linguístico adequado ao leitor. Trabalhe. Garimpe as ideias mais importantes. Delimite. Escolha. Não tenha dó de deixar aquela ideia, aquela palavra que não servirá, agora, para um outro texto, pois o fim de um texto pode ser o ponto de partida para outros.


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