• Regina Mota

Eu e a Língua Portuguesa, Marcelino de Jesus Moreira

Senti um imenso orgulho ao ler, pela primeira vez, aos onze anos de idade. Li em voz alta todas as palavras da primeira página do livro de português. Tanto a professora quanto os meus colegas ficaram surpresos com a clareza com que li todas as palavras. Não demorou muito e eu já acertava todas as palavras ditadas pela professora. Meses depois já fazia a lista de compras para o meu pai. Alcancei as melhores notas no primário e no ensino médio.


Ainda criança, fui apaixonado pelas históriasem quadrinhos. Algunspersonagens ainda guardo na memória como o Pato Donald, o Pateta, o Tio Patinhas e seus três sobrinhos. Eu possuía poucas revistas e só tinha acesso a elas quando alguém me doava algum exemplar. Por isso fazia várias leituras repetidas da mesma revista.


Mas eis que chegam os livros com leituras mais difíceis e complexas. Então, vi que o ato de ler ficou mais difícil, o que me despertou a procurar técnicas para melhorar as minhas leituras. Entendo que a língua portuguesa é muito rica e o aprendizado dela é bem fácil. Sugiro que a ortografia da nossa língua passe por uma reforma expressiva, pois a escrita de muitas palavras leva muitas pessoas à confusão e incompreensão de vários vocábulos.


Como falante da língua portuguesa, percebo que o seu uso pode variar entre pessoas e regiões do Brasil. Frequentemente me deparo falando palavras pela metade. Falo “ocês”, quando o correto é vocês, “falano” ao invés de falando, “tá bom”, quando o correto é está bom. Como mineiro legítimo, falo uai, uma expressão que só o nascidoem Minas Geraisusa. Mas em todas as regiões existem expressões que identificam o seu povo. São muitas formas de pronunciar as palavras, por isso percebo que também faço parte desse grupo de falantes.


Falo uai, falo trem e outras tantas expressões. Sou usuário desta rica língua portuguesa.


O autor é aluno do 1º período de Administração das Faculdades Del Rey –


Atividade de Língua Portuguesa – 1º semestre de 2012.


Ao ler a crônica do Marcelino fiquei muito emocionada, pois pensei no projeto que criei: “Concerto de Leitura”, cujo objetivo é, principalmente, levar literatura a crianças que não têm acesso aos livros.

Recordo também da frase de Mario Quintana: “O pior analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê.” O Marcelino lia e relia as mesmas revistas, pois não havia livros. O importante é que havia vontade de ler. Hoje, o


Marcelino é um aluno dedicado aos estudos e que escreve com clareza e fluência. Uma qualidade imprescindível

e quase rara tanto na comunicação escrita quanto falada.


Marcelino, obrigada por autorizar a publicação do seu texto. Sucesso!


Abraço, Regina

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